segunda-feira, 13 de setembro de 2010

HOMEM E FILHO FEITO DO VENTO E FERRO
Gilberto Morais & Josemar Sanntos

O sol seguiu alto
E o vento veio vacilando veredeiro
Soprando seco, os meus sonhos... Sofridos, sabe?
E na fissura que corre o gozo, como um furacão perdido!
Fez-me fisgar um filho com essa fêmea fugaz,

O ferro foi-lhe aferroando, ferrageiro.
Por dentre o corpo insensível, denso e fundo
Forjou-se o fruto, de suas entranhas,
Fez-se o frio a fim de findar o fogo
E forjar-se fuga...

E em frente aos juízes, o ar
Varreu-o à vereda para o veredicto!
Salivou ares, dos braços sabíveis
Fabricou-se do ferro leve, que ferve pra ser ferrado,

Esse menino é de ferro, formou-se para ser fundido
Eu sou a fôrma, e ele a forma e o vestígio
De um destino incerto
Das minhas mãos as marcas de uma prole,
Vazão do calor da batalha.

O vento foi lhe vacilando, veredeiro
Nu voando de seu ventre
Sorrindo surpreso, e chorando contente
Fez-se freio em meu peito frágil.

Vendo avançar desde já, a morte variante
Só o destino segue esse suco alcoolizante
E faz um fumo tão forte de fechar as fontes.

O sangue queima nas veias
Quando a recusa a vontade peia
E flecha o alvo, no ato de acertar
O peito aberto onde a renúncia sangra
A recusa do destino

Pai e mãe esvairam-se de mim, numa ventania
Sou sozinho nesse ar,
Fizera de mim pó nas fácies dessa ferrovia

Ferro e fôrma finalizaram-se na ferrugem
Corroeram-se na ânsia do deleite
Traçando seus próprios destinos

O vento solto seguiu nas veredas
Destinando o próprio destino traçado

Voei como pluma no ciclone!
Só hoje sou fuga, de todos os estragos dos meus Antepassados
Faço fabrica de sonhos!


Meu corpo desprovido de freios
Ganhou liberdade, fugindo do mundo
O ar que foi brisa tornou-se vento

E o vento veio depressa veredeiro
Rasgando feito flecha
Meus suspiros
Aventurando caminhos
Refluindo o destino
E minerando minha alma..

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